Empreendedorismo

IndePPTência

Atualmente existem diversas ferramentas disponíveis (online ou não) para construir uma apresentação, e a mais conhecida de todas é o PowerPoint, da Microsoft. Por muito tempo as estatísticas apresentavam que mais de 90% dos computadores do mundo possuíam o Windows instalado – logo, o pacote Office também, teoricamente.

A função dos programas é facilitar a vida do usuário, pois antigamente tudo estava nas mãos de profissionais que possuíam tal status apenas por serem exclusivos detentores das ferramentas profissionais. Felizmente, as ferramentas começaram a se expandir até todos terem acesso, sem dependerem dos outros. Comparando, é como a primeira vez que você pode escanear um documento em casa, sem precisar ir a uma papelaria high-tech.

Ótimo, não?

Um clichê sempre bom (e oportuno) de se comentar a respeito de apresentações são as pessoas que levaram tão a sério a independência de se criar com ferramentas profissionais que se tornaram inconvenientes: dotadas de altíssima criatividade, misturavam textos assinados (?) por Arnaldo Jabor, fotos de gatinhos fofinhos com carinha de mamãe estou carente e orações solidárias com ameaças satânicas (!?), para que você compartilhasse aquele arquivo com mais algumas pessoas. Talvez fossem os primeiros testes de viralização de conteúdo, mesmo que à força, o que concluiu um sentimento: raiva.

Das pessoas? Certamente que não, apenas da ferramenta. O PowerPoint passou a ser odiado por muitos, comunidades foram criadas nas redes sociais, outras plataformas surgiram, como Keynote, da Apple (apesar deste ter surgido pouco depois do PowerPoint, durante a rebelião contra a Microsoft), e atualmente existem diversas coqueluches do momento, como o Prezi.

Eles passaram a oferecer soluções novas e inovadoras de se apresentar um conteúdo: gira, se aproxima, se afasta, corre, pisca, pula, estremece, rebola, dança, chacoalha e diversos outros movimentos que antes só era possível ver nas dançarinas do É o Tchan. Curioso? Conquistou o público, mesmo assim.

Vai descendo na boquinha do slide…é na boca do slide…

Assim como ter o Photoshop instalado não o torna designer, a ferramenta de apresentação (independente de qual seja) não o torna um apresentador profissional. Mas quem aqui o está forçando a se tornar um apresentador profissional? Afinal, nem todos possuem uma recorrente demanda de palestras ou reuniões para apresentar projetos, serviços ou sua própria empresa a possíveis clientes e concorrências de contas.

Nem todos? Quiçá um TCC da vida.

São três pilares que constituem uma apresentação profissional: roteiro, direção de arte e coaching. Pensou que fugiria de regras corporativas pseudo-coxinhas? Senta lá, Cláudia. Nota-se a confusão em uma palestra quando você por um momento se desconcentra e perde o fluxo da mensagem, ou quando não consegue ler/identificar o material apresentado na projeção e, principalmente, quando não simpatiza (em nada) com quem está falando sob os holofotes.

Roteiro é o conteúdo de sua apresentação, o conjunto de informações que pretende passar em sua palestra. Precisa ter cuidado em estruturar o que é discurso e o que é texto presente no slide (quando houver). Importante (e que fará a diferença) é que o texto no slide seja mínimo, apenas suficiente para você se guiar durante a apresentação ou apenas com palavras/frases de efeito que introduzam/reforcem sua mensagem.

Direção de Arte é o cuidado visual de sua apresentação: combinação de cores, bom uso de fotos (de preferência com qualidade suficiente para a imagem não perder resolução/detalhe/definição) e boa diagramação (saber organizar/distribuir os elementos visuais de cada slide visando equilíbrio e direcionamento da leitura do espectador).

Dica de combinação de cores: kuler.adobe.com

Coaching é o momento especial do palestrante, o principal, onde ele não apenas treina a palestra, mas também analisa seu comportamento (sozinho ou com ajuda de profissional), visando eliminar qualquer cacoete verbal ou defeitos de postura. Tudo isso em sincronia com cada slide que for apresentar.

Desde que queimaram o filme do PowerPoint com as correntes bizarras em PPS, muitos buscaram a independência dele através de outras ferramentas, mas continuaram a repetir os mesmos erros, ou até mesmo criaram erros piores que os anteriores (afinal, o ser humano evolui – em todos os aspectos).

 

De transparências a Kinect, apresentar nunca foi tão humano quanto o ato de conversar com alguém (frente a frente): não precisamos repetir os mesmos erros para mais 15 pessoas ou uma maldição irá aparecer em nossas vidas. Quebre a mandinga da má apresentação, supere os textos pseudo-assinados por Arnaldo Jabor, e use as fotos dos gatinhos fofinhos com moderação – quem não gosta?

Oun.

 

Alexandre Franzolim é Diretor de Criação e consultor especialista em apresentações na MonkeyBusiness, agência que atua na área desde 2009, atendendo clientes nacionais e internacionais. Designer formado pelo Mackenzie (2005), já foi responsável pelas apresentações de diretores e presidentes da Microsoft, Visa, Chilli Beans, Ford, Fiat, AlmapBBDO, Africa, Lew’Lara\TBWA, Nokia, EBX, Rio 2016, Itaú-Unibanco e diversos outros, entre os mais de 160 clientes atendidos dentro da agência e mais de 400 clientes atendidos anteriormente. Responsável pela parceria da MonkeyBusiness com o TEDx no Brasil desde 2009 e pela expansão internacional, como o TEDxO’Porto e TEDxEdges (Portugal). Host do TEDxCampos, integrante da curadoria do TEDxUSP, TEDxRimini e mais outros que acontecerão em 2012.